Seguindo a linha, hoje seria domingo, ou seja, dia dos pais! Resolvi homenagear meu paizinho hoje com uma das canções mais bonitas do gênero: Espelho de João Nogueira. Não vou falar muito, creio que a letra dessa canção fala por si só. Creio que a maioria deve conhecer o filho desse compositor o João Nogueira, que acabou virando sambista com uma bela voz, muito parecida como a de seu pai. É de emocionar vê-lo cantar esta música até hoje. Meu pai sempre gostou de samba, já comentei aqui, e grande parte do respeito que tenho pela música brasileira é graças a ele. Creio que nunca cheguei a falar abertamente isso para ele, já que é japonês e tem a tendência de ser um pouco fechado. Mesmo assim sempre foi um homem bom e tenho muita sorte de tê-lo na minha vida. Bem, eis a letra de hoje: Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis) Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai (Bis) E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já
Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar
A música, ao pé da letra, não faz parte da minha realidade, porém, o tamanho da admiração que João Nogueira quis demonstrar com sua música é mais ou menos o que explica a minha pelo meu pai. Morar longe dele fez aumentar esse sentimento que tenho e o amor que sinto. Hoje eu deixo essa música ao meu amigo, meu palhaço, meu companheiro dessa vida, o homem da minha vida, meu pai!
Bem, como hoje, em meu calendário hipotético, é sábado, vou falar sobre mais uma música que é conhecida minha há algum tempo. Hoje resolvi falar sobre um grupo de compositores que resolveram se juntar e formar um dos grupos independentes de SP mais bem conceituados e com um som que, na minha opinião, é uma das coisas mais bacanas que vem acontecendo na cena musical brasileira. O Passo Torto, composto por Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral, tem dois trabalhos lançados, sendo que seu último, Passo Elétrico foi lançado esse ano.
O som dos caras, no primeiro álbum ( chamado Passo Torto), foi todo construído com base em violões, contrabaixo e cavaco. Essa configuração acústica foi muito importante para consolidar um estilo que é só deles. Já no segundo trabalho eles passam para outra textura colocando sons elétricos, principalmente da guitarra para incrementar o som. Pessoalmente, sou mais fã do primeiro trabalho, muito por sua simplicidade, pelo som econômico e as letras. Cidadão é um retrato urbano do cara que vive em São Paulo, de seus tormentos, do dia a dia, de tudo que compõe a vida dessa figura do cotidiano. Esta é uma característica muito forte dos caras que abordam muito a vida cotidiana em suas letras, falando sobre bairros da cidade de SP, falam de prédios, metrôs, enfim, nos mergulham na realidade das pessoas que vivem lá. Olha só a letra: Cidadão, esquizofrênico, rondando na periferia
Às vezes lúcido, infeliz, conforme a luz, conforme o dia
Ouvindo vozes na cabeça, ouvindo dylan
Vendo rock in roll passar
Cidadão, esquizofrênico, parado em frente ao boteco
De galocha, na avenida principal, pedindo um teco
Ouvindo um samba na cachola, ouvindo um rap
Vendo bruce lee voar
Meu bairro nunca foi igual ao bairro de nenhuma história
E tem seu próprio carnaval, um cidadão nunca vai ser igual
Cidadão, esquizofrênico, correndo no jardim valquíria
Ansioso, a noite toda, procurando a luz do dia
Estudando um passo torto, um samba, um rap
Um rock pra se orientar
Cidadão, esquizofrênico, morando na periferia
Às vezes lúcido, feliz, conforme a luz, conforme o dia
Ouvindo um rock na cabeça, ouvindo um chip
Vendo james dean dançar
Meu bairro nunca foi igual ao bairro de nenhuma história E tem seu próprio carnaval, um cidadão nunca vai ser igual
A maneira como eles trabalham o som também é algo muito interessante e que eu gosto muito. A música começa com uma espécie de diálogo entre cavaquinho e violão onde um complementa a melodia do outro tornando-se um só. O Passo Torto tem a característica de bolar melodias muito bonitas que acompanham a canção todo o tempo. A junção desses quatro talentos é o que faz o Passo Torto ser o que é. Bem, acho que já babei ovo de mais dos caras né! Creio que é isso! Até!
Cacá Machado, grande figura da música paulista. O cara não só é músico, como acadêmico, faz trilhas entre outros trabalhos artísticos. A música que irei comentar hoje é de um disco chamado Eslavosamba, título que faz menção aos Afro-sambas de Baden Powell. Bem, eu estava demorando para falar sobre algum samba por aqui.
Este é um gênero que sempre tive contato principalmente por causa de meu pai. Japonês nascido no Paraná, você deve se perguntar, o que essa figura tem a ver com o samba? Haha, por algum tempo, pelo menos eu, indaguei isso. É inevitável fugirmos do samba, em todas as suas formas variadas hoje em dia. Até mesmo a Bossa Nova que veio, há tanto tempo atrás, como um novo gênero acabou encontrando no samba sua raiz primária. Meu pai sempre ouvir os grandes clássicos, aqueles como Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Demônios da Garoa, etc. Pois bem, o samba que apresento hoje é novo, fresco, desapegado a velhos paradigmas implantados em nossos ouvidos. A batida continua lá, incessantemente, o cavaquinho, a levada. Tudo isso continua, o que muda é aquele tempero "moderninho", elétrico.
A música de hoje é a abertura do disco e já começa com uma linha de baixo que lembra Baden, já citado anteriormente. É então que a grande voz de Elza Soares entra como um grande baque em nossos ouvidos. Uma das participações do disco, a cantora dá um colorido todo especial à canção que segue com uma guitarra que comenta em vários momentos. Esse som faz parte de uma gama bem grande de músicos que estão surgindo em São Paulo, principalmente na capital. Não há medo de misturar samba, rock, afoxé, entre tantos outros ritmos que fazem parte de nós, juntando uma temática urbana, crua e, muitas vezes, cruel. Bem, provavelmente apresentarei por aqui outros caras que seguem essa mesma linha. Fiquei feliz em ter encontrado mais esse essa semana! Bem, é isso! Até!
Hoje acordei em um lugar totalmente diferente. Pois é, depois dessa correria de fim de semestre, cheguei aqui na minha cidade natal, na casa da minha mãezinha e de meu pai. Finalmente poderei escrever tranquilamente, sem mil pessoas falando a minha volta ou trabalhos me atormentando! Procurando mais informações sobre a banda de hoje, deparei-me com o termo "indie rock", bem, hoje em dia essas palavras em conjunto perderam um pouco seu significado, passando a se referir a um estilo de música, muito mais do que ao fato da banda fazer rock "independente". Lendo a história do Apanhador Só, acho que é justo cunhar o termo indie rock para esse caso em especial, considerando que eles são sim uma banda de rock que trabalha de forma independente para gravar e divulgar seu trabalho. Creio que esse é um dos pontos mais interessantes dos caras. A primeira vez que ouvi a banda estava na casa de um amigo que, coincidentemente, conhece os caras da banda, já que ele e os meninos do Apanhador Só são de Porto Alegre. Ele me mostrou um disco chamado "Acústico Sucateiro", trabalho lançado em 2011. O interessante é que este disco foi feito com versões das músicas do disco anterior, porém, em formato acústico, em que os caras utilizaram inúmeros objetos aleatórios do dia a dia, como ralador de queijo, por exemplo, para compor a sonoridade do trabalho. Outra curiosidade é que esse álbum foi lançado em um formato quase que extinto: a fita cassete. É, vantagens da música independente! A música que apresentarei hoje é do último trabalho deles, chamado Antes que tu conte outra. Procurando por gravações de Torciloco no youtube, deparei-me com duas versões bem diferentes da mesma canção. Uma com uma textura mais agitada e outra mais calma, com uma levada quase reggae. Olhando a data da publicação, essa última versão que comentei parece ser mais antiga, quanto que a mais agitada é a que está no disco atual dos caras. Deixarei aqui as duas para fins de comparação! Esta primeira é a mais antiga:
E esta é a mais nova:
E essa é a letra:
Colchão pequeno, torcicolo, cotovelo na costela, pé gelado debaixo da coberta Meu benzinho, eu não vejo a hora de ir embora vestir a roupa, ir no banheiro e dar no pé feito um idiota Garganta seca, gole d’água, frio na espinha e mão suada tapa errando o mosquito e não a orelha Meu benzinho, tu é um amor, mas tô pensando em cair fora achar a chave, abrir a porta e dar no pé feito um calhorda Pois bem, duas versões totalmente diferentes, algo que, ao meu ver, é muito bacana. É sempre bom inovar e transformar canções mais antigas em algo diferente, sob um novo olhar. Eu gosto mais da versão antiga e, não sei, creio que, por mais que a versão de estúdio pareça ser mais bem trabalhada (obviamente), ela acabou caindo muito para o pop. Quanto a letra, achei muito bacana, um simples retrato do "calhorda" mesmo, talvez porque, este seja um retrato de uma situação que muitos já passaram haha. É isso pessoas. Tenho mais algumas músicas para escrever, portanto, até daqui a pouco! PS.: olha que belezinha a capa do último trabalho dos caras!
Nos últimos 6 dias acabei deixando de postar por alguns motivos, em sua maioria devido à entrega de trabalhos, em geral, coisas da faculdade. Bem, acabei fazendo uma quebra muito grande da continuidade do desafio, portanto, terei que postar uma enxurrada de músicas todas de uma vez. Mesmo assim, espero que isso não prejudique a beleza de todo esse desafio que, no fim das contas, é conhecer coisas novas todos os dias. Então é isso, vamos à escrita!
Obs.: as postagens referentes ao sábado e domingo farei da mesma forma que no fim de semana anterior!
Hoje acordei sem norte. É a segunda vez que começo a escrever esse texto e mudei radicalmente a música que iria comentar. Mesmo assim, agora estou certa de que é ela mesma e que esse músico é muito interessante. Pensa num som reggae/hip hop/rock. Pensou? Agora adiciona judaísmo nessa salada. Isso é Matisyahu! Seu nome na certidão de nascimento está como Matthew Paul Miller, mas no decorrer de sua carreira passou a ser chamado de Mtisyahu, que significa "Dom de Yahu" ou Dom de Deus, em aramaico. Fui ler a história dele e vi que é muito interessante, resumindo bem superficialmente, ele começou a estudar a religião judaica muito cedo, por influência da família, mas sempre encontrou problemas, muitos deles por atitudes mais "rebeldes" e interesses com outros assuntos que não aquele. Aos 17-18 anos mudou-se para o Colorado e teve uma espécie de 'revelação' e, a partir disso, decidiu correr atrás dos ensinamentos que o judaísmo poderia trazer em sua vida. Depois disso o menino Matthew resolveu entrar em contato outro assunto que trazia tanto interesse quanto: a música. Foi a junção desses dois elementos que fizeram com que ele criasse essa estética super peculiar para o público.
A música em questão eu achei no facebook, numa postagem que vi de relance e fiquei curiosa para ouvir o som daquele cara barbudo vestindo a Kipá (aquele chapeuzinho que os adeptos ao judaísmo usam). Pois bem, o som surpreendeu, tanto quanto a marra do cara em misturar dois elementos que são tão distintos e cantar como um autêntico rapper no clipe. A letra também é muito legal, com o próprio título Youth já resume, ela fala basicamente da juventude e de como ela deve se manter firme em suas convicções. Creio que é uma mensagem bacana, não só pra molecada. Olha só o que ele diz:
Some of them come now Some of them running Some of them looking for fun Some of them looking for a way out of confusion
Some of them don't know what to be Some of them don't know where to go Some of them trust their instincts That something's missing from the show
Some don't fit society Insides are crying low Some of them teachers squash the flame Before it had a chance to grow
Some of them embers do glow Them charcoal, hushed and low Some of them come with the hunger suppressed Not fed Them feel a death blow
Young man, control in your hand Slam your fist on the table and make your demand Take a stand Fan a fire for the flame of the youth Got the freedom to choose Better make the right move Young man, the power's in your hand Slam your fist on the table and make your demand You gotta make the right move
"youth is the engine of the world" "youth is the engine of the world"
Storm the halls of vanity Focus your energy Into a laser beam Streaming shattered light Unites to pierce Between the seams And it seems In a world open Peering, the children see Rapid fire for your mind The "truth" is just a lie They rub me the wrong way Then say their way or fall behind Seven subjects disconnect Left out the concept as to Why there's a spiritual emptiness So them youth can get vexed Skip class and get wrecked Filled with beer and cigarettes To fill the hole in their chest!
Got the freedom to choose Better make the right move Got the freedom to choose
Young man, control in your hand Slam your fist on the table and make your demand Take a stand Fan a fire for the flame of the youth Got the freedom to choose Better make the right move Young man, the power's in your hand Slam your fist on the table and make your demand You gotta make the right move
"youth is the engine of the world" "youth is the engine of the world" "youth is the engine of the world" "youth is the engine of the world" "youth is the engine of the world"
Bem, estou umas duas horas atrasada, correrias e afins me fizeram perder mais esse dia. Mas, como ainda não dormi, darei um desconto para mim mesma hoje hahaa. É isso! Até amanhã!
PS.: olha só o que uma barba feita não faz na vida de um homem!! hahaha
Hoje acordei com flores e borboletas na barriga. É, penso em Morrissey e lembro de flores. Bem, pudera, o cara é um ícone do rock/pop/alternativo/britânico dos anos 80, vocalista dos Smiths, dono de uma voz inconfundível e amante das flores hahaha. Piadas a parte, não conheço nada do trabalho solo dele, e dos Smiths conheço somente as músicas que viraram hit, portanto, para mim é uma experiência nova entrar em contato com o som dele.
A canção de hoje faz parte do último álbum dele: Years of Refusal (2009) e escolhi ela meio que no acaso. Baixei o último trabalho dele justamente para ver o que ele anda aprontando atualmente e me deparei com um som rock n`roll bem a cara dele: esquisitices, crueza e peculiaridade na letra. Ela começa com um baixo distorcido (posso estar errada) e começa uma sonoridade que é segurada pela banda por toda a música. Fiquei surpresa como é diferente esse novo som dele com a dos Smiths, mas também, passaram bons 30 anos desde que os caras estouraram por aí haha. Gostaria de dar uma atenção à letra agora. Começando com o título que já é, no mínimo, interessante! Bem no fim da música ela se confirma com os versos: "you don't like me, but you love me/either way you're wrong/you're gonna miss me when I'm gon". Não sei por que, mas gostei bastante disso! Não consegui formar uma opinião concreta sobre a letra, só sei que gostei. Ainda bem que o blog é meu e posso me dar, de vez em quando, ao luxo de simplesmente não explicar as coisas. Podem me chamar de preguiçosa, não ligo haha. Bem, saca só o que estou falando:
You hiss and groan and you constantly moan But you don't ever go away That's because All you need is me
You roll your eyes up to the skies Mock horrified But you're still here All you need is me
There's so much destruction All over the world And all you can do is Complain about me
You bang your head against the wall And say you're sick of it all Yet you remain 'Cause all you need is me
And then you offer your one and only joke And you ask me what will I be When I grow up to be a man Uhm, nothing!
There's a soft voice singing in your head Who could this be? I do believe it's me
There's a naked man standing, laughing in your dreams You know who it is But you don't like what it means
There's so much destruction All over the world And all you can do is Complain about me
I was a small, fat child in a council house There was only one thing I ever dreamed about And Fate has just Handed it to me - whoopee
You don't like me, but you love me Either way you're wrong You're gonna miss me when I'm gone You're gonna miss me when I'm gone
Resolvi deixar aqui a versão ao vivo, pois gosto muito de ver a performance dele e até comparar com coisas mais antigas. Recomendo muito que vejam os antigos clipes dele ou dos Smiths, é muito bacana mesmo! Enfim, falei pouco, mas essa semana está assim, curto e grosso. Semana que vem as férias chegam de verdade e poderei me dedicar decentemente aos textos. Ah, já ia esquecendo, tirei a ideia de falar sobre Morrissey ouvindo a rádio, só para constar! É isso! Até amanhã e um abraçaço!